Hoje de manhã notei algo interessante nos futuros de commodities. As tensões geopolíticas aliviaram-se ligeiramente após a notícia de que Trump está a organizar negociações entre os EUA e o Irão nos próximos dias, e o mercado reagiu imediatamente. Todos os metais que estavam sob pressão começaram a recuperar simultaneamente.



O Prata de Xangai foi o primeiro a mover-se, mas também ouro, cobre, níquel e estanho interromperam a sua fase de baixa. Olhando para os futuros em detalhe, cada produto tem o seu perfil de recuperação interessante. A prata está a subir de forma oscilante e formou um canal de recuperação bastante claro. São visíveis sinais de novos capitais a entrar, sobretudo nesta semana, mas quando o preço tocou nos 20.000 yuans houve alguns desinvestimentos.

O ouro move-se de forma mais cautelosa, ainda pressionado perto do gap anterior. O contrato Au2606 está a testar a resistência em torno dos 1060. Já o níquel é aquele que mais me impressiona: duas velas verdes consecutivas trouxeram-no de volta acima da média de 60 dias de forma estável. Os capitais de alta continuam a tentar impulsionar para cima. Também o cobre e o estanho estão a subir, embora com menos decisão em relação ao níquel.

Mas este rali não é apenas uma questão de redução do risco geopolítico. Existem fundamentos sólidos por trás. Para o níquel, a Indonésia alterou a fórmula de cálculo dos impostos sobre minerais, aumentando o coeficiente de avaliação de 17% para 30% para minerais com teor de 1,6%. Além disso, agora também taxam metais acessórios como cobalto, ferro e cromo nos minerais, e os custos de produção aumentam significativamente. Para a tecnologia pirometallúrgica, os custos à vista podem chegar a até 135.000 yuans por tonelada.

O estanho enfrenta problemas de oferta que o sustentam. Na China, a produção de lingotes caiu 2,16% ano a ano em março, e a de reciclagem caiu cerca de 25%. Os stocks estão historicamente baixos. Mas o que mais preocupa são os problemas no exterior: em Myanmar, uma explosão numa fábrica química levou a encerramentos totais, e na República Democrática do Congo o conflito continua a piorar. Estes eventos alimentam as preocupações sobre o fornecimento mundial de estanho nos futuros.

O ouro e a prata beneficiam sobretudo do alívio das tensões. Com as negociações EUA-Irão, as preocupações sobre o Estreito de Hormuz acalmaram-se temporariamente. A prata, por ter maior elasticidade, liderou a recuperação. No médio-longo prazo, porém, a relação ouro-prata provavelmente continuará numa tendência de alta.

O cobre também tem fundamentos sólidos: a oferta global permanece restrita, o transporte de enxofre do Médio Oriente está quase parado e isso penaliza cerca de 20% da capacidade de refinação hidrometalúrgica. Além disso, a construção de novos centros de IA nos EUA está a impulsionar a procura de cobre a longo prazo.

Olhando para o futuro, o mercado move-se principalmente com base na lógica de atenuação das tensões e recuperação dos preços. É preciso monitorizar o resultado efetivo das negociações EUA-Irão, mas também o que dirão os responsáveis do Federal Reserve sobre a situação da inflação e das taxas. Nesta quinta-feira, o presidente do Fed de Nova Iorque, Williams, fará um discurso público, será importante acompanhá-lo.

Não nos esqueçamos, porém, que a geopolítica é por natureza altamente imprevisível. As posições do Irão e dos EUA tiveram variações súbitas recentemente, e o mercado de futuros continuará a ser volátil. Mesmo que os preços estejam a recuperar, o processo pode estar longe de ser linear. A recomendação é manter a calma, gerir bem as posições e o risco, evitando movimentos impulsivos motivados por um otimismo de curto prazo excessivo.
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