# O Medo é uma Bússola, Não um Obstáculo



Ontem à noite, enquanto lia o "Zizhi Tongjian", deparei-me com um detalhe que me tocou profundamente.

Na Batalha de Gaixia, Liu Bang ofereceu uma recompensa de mil ouro e títulos de marquês por cabeça de Xiang Yu. Ninguém no exército de Han ousava avançar. Um pequeno cavaleiro chamado Yang Xi foi assustado por um grito de Xiang Yu e recuou vários quilómetros — mas depois virou o cavalo e voltou ao ataque. Acabou por conquistar o corpo de Xiang Yu e foi enobrecido por este feito.

O mesmo exército, oportunidade idêntica. A diferença estava naquele instante de "virar do cavalo".

Isto tocou-me pessoalmente. Quando comecei a escrever, revia cada artigo dezenas de vezes antes de o publicar. Já publicado, atualizava a página dezenas de vezes num minuto à procura de críticas negativas. Uma única crítica podia arruinar-me o dia inteiro. Depois um mentor disse-me algo brutalmente verdadeiro: "Estás a levar-te demasiado a sério. As pessoas criticam e esquecem; és tu que ficas no ciclo do ruminamento".

Depois dessa chamada de atenção, forçava-me a escrever e publicar todos os dias. Gradualmente descobri que as coisas que outrora faziam as minhas mãos tremular ao clicar "enviar", consegui depois comentar com humor.

Desenvolvei um hábito — no final de cada ano faço uma "lista de medos" e no ano seguinte faço propositadamente as coisas dessa lista. Medo de expressão pública? Crio um blogue. Pavor de discursos? Subo ao palco à força. Vergonha perante câmaras? Forço-me a aparecer. Cada receio superado é um degrau a mais para o ano seguinte.

Deixa-me contar um contraexemplo. Um antigo colega de quarto evitava falar em reuniões, sentava-se sempre na última fila, não lutava por promoções porque teria de fazer uma apresentação. Quando o chefe o designou para coordenar a apresentação de um projeto, pediu dispensa imediatamente. Mais tarde, aquele projeto tornou-se casos de estudo da empresa; quem o coordenou acabou promovido dois níveis.

Embriagado, disse-me: "Tenho má sorte, sempre perco oportunidades". Mas a oportunidade bateu-lhe à porta, não bateu?

A psicologia tem a "teoria dos três círculos de mudança comportamental" — divide a cognição humana em zona de conforto, zona de aprendizagem e zona de medo. A maioria das pessoas passa a vida inteira fora da zona de medo, esticando o pescoço para observar, tentando contorná-la.

Mas pensa bem: em quantos momentos decisivos da vida não fomos com o coração na boca para lá?

O medo é como uma porta. Por fora, imaginamos calhaus incandescentes e montanhas de facas; abrindo-a, vemos apenas espaços vazios.

Agora quando esbarro em algo assustador, até fico contente — significa que há algo valioso à frente.

Experimenta. Na pior das hipóteses, recomeças.
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