Percebi uma história selvagem sobre como funciona o cassino de criptomoedas Stake. Tudo começou com uma transmissão de um rapper canadense, que em uma hora e meia perdeu de 3,5 milhões para 420 mil dólares em caça-níqueis. Mas depois seu saldo foi recuperado para 2,2 milhões. Que sorte, hein?



Acontece que nos bastidores estava o cofundador do Stake, Ed Craven, que literalmente comandava o jogo pelo chat. Incentivava, aconselhava, para quais jogos mudar. E o mais interessante — o rapper ganhava nos caça-níqueis da empresa-mãe Stake quatro vezes mais frequentemente do que jogadores comuns. E quando jogava em jogos de desenvolvedores externos, sua taxa era média. Coincidência? Difícil.

Bloomberg investigou a fundo. Analisaram 1500 horas de transmissões de 25 streamers na plataforma Kick, que supostamente é independente do Stake. Mas na verdade ambas as empresas pertencem à mesma holding, Easygo, estão no mesmo escritório em Melbourne, e têm uma equipe comum. A Kick se apresenta apenas como uma plataforma de streaming para evitar regulações de jogos de azar.

Craven negou manipulações várias vezes, mas os fatos dizem o contrário. Streamers populares como Trainwreckstv receberam 3,6 bilhões de dólares em 16 meses na conta, e depois fizeram apostas de 180 bilhões. Adin Ross, durante a parceria, recebeu pelo menos 26 mil ETH, o que na cotação do momento equivale a 78 milhões de dólares. Isso não parece jogo justo.

Detalhe interessante: Stake não trabalha só com criptomoedas no formato clássico. Eles têm um modelo nos EUA, onde usam moedas virtuais e o chamado Stake Cash, que podem ser trocados por cripto. Então, é só stake crypto? Não, é um sistema híbrido que ajuda a contornar a legislação americana. A licença é registrada em Curaçao — uma ilha pequena onde a regulação é praticamente inexistente.

A parte mais triste são as histórias dos jogadores. Um rapaz sueco começou a jogar aos 15 anos, acumulando criptomoedas de trocas de itens no Counter-Strike. Em sete anos, perdeu cerca de 1,5 milhão de dólares na Stake. Solicitou autoexclusão dezenas de vezes, mas Craven ajudava pessoalmente a driblar as proibições, transferindo bônus para novas contas. Se não tivesse perdido, suas criptos hoje valeriam entre 15 e 20 milhões.

A empresa contrata milhares de editores que espalham vídeos com ganhos enormes de streamers. Por um milhão de visualizações, pagam entre 500 e 800 dólares. Ou seja, uma máquina de atrair novos dependentes, especialmente jovens. Depois, na Twitch, proibiram transmissões de jogos de azar com criptomoedas, mas Craven criou o Kick como alternativa.

Reguladores já começaram a agir. Nos EUA, há pelo menos 10 ações coletivas contra Stake, Drake e Ross. Reino Unido, França, Ucrânia ordenaram bloqueios de acesso. Até Curaçao começou a multar operadores, mas as multas são pequenas — 12,5 mil dólares por empresa, que ganha isso em um minuto e meio.

E Craven, enquanto isso, vive em uma mansão em Melbourne, comprada por 56,8 milhões de dólares, dirige Land Rover. Seus principais streamers continuam com ele, exceto aqueles incluídos nas ações judiciais. Toda essa história mostra como funciona a indústria de criptomoedas sem regulação — dinheiro enorme, manipulações, vítimas entre os jovens e impunidade prática.
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