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Beasley busca tempo para Trump, possibilidade de alívio no curto prazo nos preços do petróleo
Yan ChiBit e outros 4 interessados
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┈➤Prorrogação de isenção de sanções
O secretário do Tesouro dos EUA, Beasley, acaba de anunciar que a isenção de sanções sobre o petróleo marítimo do Irã foi prorrogada por 30 dias. Em 19 de abril, a isenção para a Rússia já havia sido estendida por 30 dias.
Primeiro, é preciso explicar:
Primeiro, não é o levantamento das sanções financeiras, mas a isenção de sanções sobre o petróleo marítimo, ou seja, o petróleo em trânsito.
Segundo, o que se chama sanções financeiras não impedem o Irã e a Rússia de vender petróleo bruto, mas ficam travadas na etapa do comprador. A isenção permite que o país importador compre o petróleo que está em trânsito ou já chegou ao porto de destino.
Terceiro, não há certeza se o Irã e a Rússia poderão receber pagamentos, ou se, como outros ativos no exterior do Irã, esses valores serão congelados diretamente.
Ao estender a isenção, Beasley também enfatizou que "a alegação de que o Irã obteria US$14 bilhões com a suspensão das sanções é pura bobagem". Isso serve como uma resposta de Trump às dúvidas de um lado do Partido Democrata.
┈➤Massagem mental e gestão de expectativas
Por outro lado, Beasley afirmou que a suspensão das sanções "pode liberar mais de 250 milhões de barris de petróleo em alto mar".
Na realidade, talvez nem tanto, pois a prorrogação anterior de 30 dias já pode ter feito com que parte do petróleo fosse negociada.
De qualquer forma, o número de 250 milhões de barris pode aliviar a ansiedade dos compradores, pois, se os países importadores de petróleo esperarem uma queda nos preços, a demanda por compra desacelera, o que ajuda a aliviar ainda mais os preços do petróleo.
┈➤Qual é a quantidade de déficit global de petróleo?
Verifiquei no Gemini e GPT que, antes do conflito, a produção diária de petróleo na região do Oriente Médio era de cerca de 31 milhões de barris, com exportações de aproximadamente 21,5 a 22 milhões de barris.
A produção de Omã é de 1 a 1,1 milhão de barris, pois Omã não depende do Estreito de Ormuz para exportar.
Com o bloqueio do Estreito de Ormuz, alguns oleodutos estão sendo reutilizados.
Primeiro, o oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita, cuja capacidade de exportação pode atingir 7 milhões de barris por dia, está sendo reforçado, com meta de 8,5 milhões de barris;
Segundo, o oleoduto ADCOP dos Emirados Árabes, com capacidade de 1,8 milhão de barris por dia, está sendo redirecionado;
Terceiro, o oleoduto Irã-Turquia, com capacidade de 250 mil barris por dia, está sendo ativado, além de novos projetos no Iraque e Jordânia;
Assim, é possível exportar cerca de 9,05 milhões de barris por dia.
Além disso, há transporte terrestre de petróleo para outras regiões, como o Paquistão, disfarçado de petróleo local para exportação.
Fora do Oriente Médio, após a saída de Maduro, a Venezuela aumentou sua produção de petróleo, chegando a cerca de 900 mil barris por dia em 2025, com uma média de aproximadamente 1,2 milhão de barris por dia após janeiro. ( De janeiro a abril, a extração de petróleo na Venezuela estava em reconstrução, então durante o bloqueio do Estreito de Ormuz, a produção venezuelana pode ter sido ainda maior. )
De modo geral, o déficit global de petróleo é de cerca de 10 milhões de barris por dia.
┈➤Impacto nos preços do petróleo na Ásia e Américas
╰✦Ásia
Apenas o oleoduto ADCOP dos Emirados Árabes é relativamente conveniente para transporte à Ásia, mas sua quantidade é limitada. Os preços do petróleo na Ásia ainda não estão muito otimistas. A maior parte do petróleo em trânsito sob a isenção de sanções, nos últimos dias, é de Rússia e Irã, exportada para a Ásia, o que pode ter causado um leve alívio nos preços asiáticos.
Antes do bloqueio do Estreito de Ormuz no início de 2026, a exportação de petróleo para a Ásia via Estreito era de cerca de 17 a 18 milhões de barris por dia. Considerando que parte desses 250 milhões de barris vai para outros continentes, e que alguns já foram negociados na última prorrogação, essa quantidade pode sustentar cerca de duas semanas.
Após esses dias, os preços na Ásia podem ainda não estar muito otimistas.
╰✦Europa
Duas das três rotas de transporte de petróleo do Oriente Médio são voltadas principalmente para a Europa. O oleoduto leste-oeste da Arábia Saudita só consegue enviar para o Norte, em direção ao Mediterrâneo, com tarifas elevadas na Suez Canal, pois ao sul, o Golfo de Áden e o Mar Vermelho são controlados por um dos proxies do Irã — os Houthis.
Iraque e Turquia também exportam principalmente para a Europa, o que pode melhorar a oferta de petróleo na região.
╰✦Américas
Esses 250 milhões de barris são principalmente destinados à Ásia, e a demanda de compradores asiáticos por petróleo americano deve diminuir temporariamente, o que pode ter um pequeno efeito positivo na redução dos preços nos EUA.
As rotas de exportação para a Europa ajudam a aliviar a demanda por petróleo das Américas na Europa. Assim, o impacto de curto prazo nas Américas é relativamente pequeno, sendo que uma parte menor da pressão contínua vem do petróleo exportado por oleodutos.
Antes da abertura do Estreito, estima-se que os preços do petróleo nos EUA dependiam principalmente do aumento da produção na Venezuela. Segundo informações de uma matéria de Honey, o secretário de Energia dos EUA afirmou que, desde 3 de janeiro, a Venezuela vendeu cerca de 150 milhões de barris de petróleo. Ele disse que a produção diária do país ultrapassa 1,2 milhão de barris, com cerca de 50 milhões de barris em estoque, "mas eles não conseguem colocar no mercado".
Assim, é correto que Trump priorize o relacionamento com a Venezuela, que também tem potencial de aumento de produção e pode ajudar a aliviar os preços nos EUA a curto prazo.
Porém, atualmente, as empresas americanas de petróleo não têm grande interesse em investir mais na Venezuela. Se, no futuro, elas fizerem investimentos adicionais, a Venezuela poderá aumentar bastante sua produção, o que pode ajudar a conter a inflação nos EUA. Quanto melhor o controle da inflação, mais cedo o dólar ficará mais frouxo, o que é desejado pelo mercado de ações e especialmente pelo mercado de criptomoedas.
┈➤Considerações finais
Na verdade, se o Estreito permanecer fechado por um longo período, Honey fez uma estimativa: comparando com antes de fevereiro, o déficit de oferta e demanda de petróleo é de cerca de 10 milhões de barris por dia. Antes de fevereiro, a produção diária de petróleo era de pouco mais de 100 milhões de barris, ou seja, uma redução de aproximadamente 10%. Mesmo que a curva de demanda seja bastante inclinada, o aumento de preços não será ilimitado. Com uma nova relação de oferta e demanda, os preços podem encontrar um novo intervalo de equilíbrio.
O problema é que há uma certa sensação de pânico, levando a uma corrida por petróleo e à manipulação de preços. Do ponto de vista de Beasley, uma é responder às dúvidas do Partido Democrata, duas é ganhar tempo para negociações entre Trump e o Irã, e três é aliviar a ansiedade com relação aos preços do petróleo.
Nos últimos dias, essa expectativa de alívio com os 250 milhões de barris em trânsito é apenas um fator parcial; uma verdadeira queda nos preços só acontecerá quando os EUA e o Irã concluírem um acordo e o Estreito de Ormuz for totalmente aberto.
Porém, na tentativa de ganhar tempo para Trump, será que as duas partes conseguirão chegar a um acordo?! ()