Tenho um amigo, que dentro do sistema chegou aos 35 anos sem cargo, vendo jovens que entraram depois de si serem promovidos a vice-chefe, se tornarem chefes de departamento, enquanto ele fica desanimado, cabisbaixo, achando que não conquistou nada, que perdeu a vida de vez.


Eu disse a ele: Não se deixe mais enganar pelo mito de que “ser funcionário público é sucesso”, mesmo que daqui a 10 anos você ainda não tenha cargo, contanto que você não esteja sentado esperando, não esteja na cama com tubos, não tenha sido chamado pela comissão de disciplina para tomar chá, você já venceu 80% das pessoas nesse grande sistema.
Não estou te consolando, ao longo desses anos, vi de tudo: jovens ambiciosos que foram promovidos cedo e depois se meteram em confusões com os líderes, aqueles que se mataram de trabalhar e morreram de exaustão, os que se dedicaram a manipular relações humanas e acabaram totalmente marginalizados, tudo que você possa imaginar.
Depois de ver tanta coisa, comecei a perceber que, nesse sistema de poder, sobreviver intacto já é a maior conquista.
Corte essa ambição ridícula como se fosse um tumor.
Parabéns, aos 35 anos sem cargo, isso significa que você não tem fraquezas, justamente a sua armadura mais forte nesse círculo.
Com essa idade, você tem experiência, tem qualificação, os líderes confiam em você, há coisas que só você pode fazer, você conhece bem os bastidores, ninguém te trata com desdém, então por que temer?
Olhe para aqueles chefes mais jovens ou na sua faixa de idade, que parecem estar no auge, andando com confiança, mas na verdade estão na ponta da faca, sangrando por dívidas de favores, por buracos que não param de se aprofundar.
O poder que eles têm é um alto juros que trocam por suas vidas e dignidade, e cedo ou tarde terão que devolver tudo com juros.
Você os inveja por serem cercados de pessoas, enquanto eles te invejam por poder dormir tranquilo.
Tem um líder na nossa unidade, que já é um alto executivo, mas por exigências rígidas, não quer mais se envolver na competição, alegando problemas de saúde, pediu para ser rebaixado a um cargo comum, ganhando menos, mas com muito mais tranquilidade.
Quem o vê por aí chamando de “X” ou “Y”, nem imagina que ele realmente manda em alguma coisa, essa é a verdadeira sabedoria.
Nesse sistema de poder e responsabilidade desproporcional, não ter cargo significa não ter poder de assinatura, e sem poder de assinatura, você nunca será responsabilizado por obras inacabadas, aprovações ilegais ou punições injustas.
Você é como um isolante transparente, quando as coisas explodem, os altos devem suportar, enquanto você fica na esquina assistindo tudo pegar fogo.
A essa altura, você precisa entender a lógica sangrenta por trás das promoções: nunca é por mérito, mas por utilidade, ou pelos recursos que você representa.
Se aos 35 ainda não foi promovido, isso mostra que você não é uma lâmina afiada, nem uma mina que fornece sangue.
Se você ainda insiste em subir como um cabeça dura, está se procurando uma morte certa.
Seu lugar agora é o paraíso com melhor custo-benefício.
Ganha quase o mesmo que o chefe, mas sem riscos políticos, como uma ervilha de cobre que não cozinha, não amassa, não explode.
O chefe não consegue te controlar, te xinga, você escuta, evita as tarefas pesadas, aceita as avaliações, esse estado de não desejar nada faz com que quem queira te manipular perca toda esperança, pois você cortou todos os canais de desejo que poderiam ser controlados por eles.
O segredo é aprender a aproveitar essa “falha” de ser marginalizado, ela é seu capital para o resto da vida.
A maior mentira do sistema é que “ter mérito traz posição”, a verdade é que “não fazer nada evita problemas”.
Depois dos 35, seu corpo começa a declinar, a família, os idosos, as crianças, as tarefas acumulam.
Se ainda estiver carregando algum cargo, cedo ou tarde será esmagado por duas forças opostas.
Mas agora, você tem o recurso mais luxuoso nesse sistema: tempo.
Pode investir toda a energia que economizou na unidade na sua saúde e na sua família.
Olhe para aqueles colegas que brigam por uma vice-chefia, com barrigas inchadas por longas reuniões, cabelos caindo, e sorria de canto.
Essa maratona nunca é sobre quem corre mais rápido, mas quem vive mais, quem consegue chegar aos 100 anos aposentado, quem realmente tira o máximo do sistema.
Pare de se iludir com o sucesso externo, dentro do sistema não há necessidade de sonhos, só de sobrevivência.
Aos 35, você já foi selecionado, virou um “refugo” seguro, essa segurança é algo que quem tenta agradar o chefe nunca vai entender.
O que você precisa fazer agora é envolver seu coração com uma camada grossa de casca, indiferente ao frio ou ao calor, às verdades ou mentiras.
Transforme a unidade em uma máquina de pagar sua aposentadoria, cumprindo o horário, comendo na hora certa, saindo na hora certa, e, sob o olhar ansioso de todos, viva tranquilamente como um “desperdício” feliz.
Lembre-se: nesse sistema cheio de armadilhas e intrigas, quem consegue chegar até a aposentadoria já venceu.
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