A mesa de negociações e o campo de batalha de “gelo e fogo” — Início das conversações em Islamabad, a situação no Oriente Médio ainda na encruzilhada



No início da manhã de 11 de abril, horário local, o governo paquistanês confirmou que as negociações entre EUA e Irã aconteceriam no mesmo dia no Hotel Serena, em Islamabad. Poucas horas antes do início das negociações, o lado iraniano emitiu uma declaração dura, como um ultimato — se não for alcançado um acordo “aceitável tanto para o Irã quanto para as forças de resistência”, e o fogo voltar a se acender, o Irã lançará “um golpe devastador” contra os interesses de Israel e dos EUA na região do Oriente Médio. Ao mesmo tempo, Israel realizou um ataque aéreo em larga escala ao Líbano, causando mais de 350 mortes, o Estreito de Hormuz permanece sob controle rigoroso, e os houthis afirmaram ter atacado um porta-aviões americano. Entre a mesa de negociações e o campo de batalha, um jogo de “gelo e fogo” está acontecendo simultaneamente.

1. Islamabad: A abertura das negociações EUA-Irã e a “luta dura”

Sob a rigorosa segurança de mais de 10 mil policiais paquistaneses, as negociações entre EUA e Irã começaram no Hotel Serena, em Islamabad. A delegação iraniana foi liderada pelo presidente da Assembleia Nacional, Ali Larijani, incluindo o ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Abdollahian, o governador do Banco Central, Hamed, além de especialistas de várias áreas como segurança, política, militar, economia e direito. A delegação americana foi liderada pelo vice-presidente Kamala Harris, incluindo o enviado especial dos EUA, Robert Witte, e Jared Kushner, genro de Trump.

As declarações de ambos antes do início das negociações indicam que se trata de uma “luta dura”.

O lado iraniano manteve uma posição firme. O líder supremo, Ali Khamenei, afirmou por escrito que “três pontos principais”: os invasores devem compensar os danos; a gestão do Estreito de Hormuz entrará em uma nova fase; o Irã não abrirá mão de seus direitos legítimos e considerará toda a “frente de resistência” na região como um todo. O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, Ali Ravanji, confirmou que o Irã usará a “proposta de dez pontos” apresentada anteriormente como base para as negociações, incluindo o reconhecimento do controle iraniano sobre o Estreito de Hormuz e a aceitação das atividades de enriquecimento de urânio do Irã. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Amir Abdollahian, também enfatizou que o cessar-fogo entre Irã e EUA se aplica igualmente ao Líbano, e Israel deve parar suas ações militares contra o Líbano.

O lado americano também entrou na negociação com postura dura. Trump afirmou que, se não for possível chegar a um acordo com o Irã, os EUA intensificarão suas ações militares, já que estão “reimplantando” suas forças, com navios de guerra carregados com as “armas mais avançadas”. Ele declarou ainda que, além de controlar o Estreito de Hormuz, o Irã “não tem mais carta na manga”. Witte advertiu o Irã para não tentar “brincar” com os EUA, mas também disse que, se o Irã estiver disposto a negociar com sinceridade, os EUA manterão uma postura aberta.

Quanto ao formato das negociações, ainda não está claro se haverá encontros face a face. Há informações de que ambos os lados podem se reunir separadamente com o Paquistão antes de decidir se avançam para negociações diretas. Trump previu que o resultado das negociações será claro em 24 horas.

2. Líbano: o fogo não se apaga, a trégua ainda não chegou

Fora da mesa de negociações em Islamabad, o céu do Líbano ainda está carregado de fumaça de guerra.

Desde que Israel lançou um ataque aéreo em larga escala ao Líbano, o número de vítimas continua a subir. Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, até o dia 8, os ataques israelenses causaram 357 mortes e 1223 feridos. Desde o recomeço do conflito entre Líbano e Israel em 2 de março, os ataques israelenses ao Líbano totalizaram 1953 mortes, 6303 feridos, e mais de um milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas. Na véspera das negociações, Israel atacou a cidade de Nabatiyeh, no sul do Líbano, matando 13 membros das forças de segurança.

É importante notar que, até agora, há divergências graves entre EUA e Irã sobre se o acordo de cessar-fogo deve incluir o Líbano. O Irã insiste que o cessar-fogo no Líbano é uma condição prévia para as negociações, e Larijani afirmou que “o cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos iranianos congelados antes do início das negociações” devem ser concluídos “antes do começo das conversas”.

Ao mesmo tempo, os canais diplomáticos estão enfrentando dificuldades para se abrir. Em uma declaração na noite de 10, o presidente do Líbano afirmou que os embaixadores do Líbano e de Israel nos EUA já conversaram por telefone, e ambos concordaram em se reunir em 14 de abril no Departamento de Estado dos EUA para discutir o cessar-fogo e iniciar as negociações. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, declarou que instruiu o governo israelense a iniciar negociações diretas com o governo do Líbano, mas deixou claro que “não haverá cessar-fogo” e que, durante as negociações, não se discutirá um cessar-fogo com o Hezbollah.

3. Estreito de Hormuz: controle rigoroso, retomada do tráfego extremamente limitada

Após o anúncio de “cessar-fogo de duas semanas” entre Irã e EUA, a situação do tráfego no Estreito de Hormuz está longe de estar “reaberta” como o lado americano afirmou.

Segundo o lado iraniano, nas últimas 24 horas, apenas 4 navios passaram pelo Estreito, incluindo um petroleiro iraniano e um russo. O relatório da empresa britânica de análise marítima, Windeard, mostra que o cessar-fogo não trouxe uma recuperação total do transporte comercial, e as rotas padrão pelo estreito continuam praticamente inativas. No dia 8, foram registrados 5 cargueiros saindo, e no dia 9, embora tenha havido aumento na entrada e saída, a maioria eram embarcações menores ou relacionadas ao Irã.

Mais preocupante ainda, o Irã deixou claro que, em resposta às violações do cessar-fogo por parte de Israel e aos ataques ao Líbano, o Estreito de Hormuz permanece fechado nos últimos dois dias. Um membro do Conselho de Segurança Nacional do Irã afirmou que o controle do tráfego no estreito é extremamente rigoroso, e até mesmo navios de países não hostis não podem passar pagando uma taxa de passagem.

Dados indicam que cerca de 3.200 embarcações ainda estão retidas a oeste do Estreito de Hormuz, incluindo aproximadamente 800 petroleiros e cargueiros. As empresas de navegação estão adotando rotas alternativas ao redor do Cabo da Boa Esperança, e a duração das rotas tradicionais do Oriente Médio para o Golfo aumentou de cerca de 25 para aproximadamente 41 dias, elevando os custos de transporte em cerca de 25%.

Por parte dos EUA, há tentativas de controlar a narrativa. Trump afirmou que o Estreito de Hormuz “reabrirá em breve, de qualquer forma”. O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Hasset, disse que a navegação no estreito deve ser retomada nos próximos dois meses, e que os EUA já têm “planos de contingência”. No entanto, análises indicam que o período de 8 a 10 de abril foi uma janela de testes preliminar, e que de 11 a 14 de abril será o período decisivo para as decisões das empresas de navegação — a recuperação total do tráfego pré-guerra ainda levará meses.

4. Houthis no Iêmen: uma nova ameaça surge

No momento em que as negociações EUA-Irã começaram, os houthis do Iêmen emitiram um novo aviso.

Em 9 de abril, o líder dos houthis, Abdul-Malik al-Houthi, declarou em uma entrevista na TV que os ataques dos EUA e de Israel estão dividindo a “frente de resistência”, e que os houthis não ficarão de braços cruzados. O porta-voz dos houthis, Yahya Saree, afirmou em 11 de abril que o grupo “nos últimos horas” atacou o porta-aviões americano “Harry Truman” e suas embarcações de apoio no Mar Vermelho, usando mísseis de cruzeiro e drones.

Essa declaração envia um sinal bastante claro: se os EUA e Israel continuarem a pressionar o Líbano, a situação no Mar Vermelho e no Estreito de Mandeb poderá se intensificar rapidamente. As ações anteriores dos houthis de atacar navios fizeram os custos de transporte no Mar Vermelho dispararem, e, se o conflito se expandir, a cadeia de suprimentos de energia global enfrentará ameaças duplas vindas do Estreito de Hormuz e do Estreito de Mandeb.

Ao mesmo tempo, a mídia britânica, em 10 de abril, citando fontes oficiais, informou que o Reino Unido realizará na próxima semana uma nova rodada de negociações com aliados para discutir como retomar o tráfego no Estreito de Hormuz sem pagar “taxas de passagem” ao Irã.

5. A conta da guerra: números que não desaparecem com o cessar-fogo

Independentemente do acordo alcançado na mesa de Islamabad, os custos desta guerra são irreversíveis.

Dados da Organização Mundial da Saúde mostram que, desde 28 de fevereiro, os ataques militares em larga escala dos EUA e de Israel contra o Irã causaram cerca de 2.400 mortes, mais de 32 mil feridos e 3,2 milhões de deslocados. Além disso, no Líbano, quase 2.000 mortes e mais de um milhão de deslocados. Essa guerra já matou mais de 4.000 pessoas e deixou mais de 4,2 milhões de refugiados.

No plano político, o índice de confiança do consumidor nos EUA caiu para 47,6, uma queda de 10,7 pontos em relação ao mês anterior, atingindo o menor nível da história. O presidente do Banco Mundial alertou que, mesmo que o cessar-fogo entre EUA e Irã seja mantido, a guerra no Oriente Médio continuará a gerar efeitos em cadeia na economia global.

6. Pontos-chave: o futuro ainda é incerto

A negociação EUA-Irã em Islamabad, em 11 de abril — o sucesso ou fracasso depende deste momento, afirmou o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz, dizendo que “o destino da paz duradoura está nesta hora”. Trump previu que o resultado das negociações será claro em 24 horas, mas o lado iraniano insiste que “só começará se os EUA aceitarem as condições do Irã”.

A reunião tripartite entre Líbano, Israel e EUA em 14 de abril — os embaixadores do Líbano e de Israel nos EUA se encontrarão no Departamento de Estado para discutir o cessar-fogo e o início das negociações.

Ao mesmo tempo, o Reino Unido convocará uma reunião com aliados na próxima semana para discutir um plano de “navegação gratuita” pelo Estreito de Hormuz; as ameaças de ataque dos houthis continuam; mais de 3.200 embarcações aguardam a situação no estreito — o futuro do Oriente Médio ainda está por ser decidido.

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Conclusão: A mesa de Islamabad finalmente foi aberta, mas os tiros fora dela nunca pararam. Em meio às equipes de resgate nas ruínas do Líbano, às milhares de embarcações esperando de ambos os lados do Estreito de Hormuz, e às mais de quatro milhões de pessoas deslocadas na região, essa luta de “gelo e fogo” continua. Os dois dias de cessar-fogo já completaram quatro dias, mas a verdadeira paz no Oriente Médio — se é que ela realmente existe — provavelmente não será revelada em 24 horas. O único fato certo é que cada dia de atraso só aumenta essa pesada conta de guerra.
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MasterChuTheOldDemonMasterChu
· 3h atrás
Conqueror GT 🚀
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MasterChuTheOldDemonMasterChu
· 3h atrás
Firme HODL💎
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MasterChuTheOldDemonMasterChu
· 3h atrás
Basta avançar 👊
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Mosfick,Brother
· 5h atrás
conversas no horário local de 11 de abril
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