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Recentemente deparei-me com uma história que faz refletir. Lembram-se de toda a discussão sobre quem é realmente Satoshi Nakamoto? Acontece que, nos sites de previsões, um nome há muito ocupa o primeiro lugar — Len Sassaman. E não é por acaso.
Len Sassaman não era apenas um criptógrafo. Era uma pessoa que vivia e respirava cyberpunk na sua forma mais pura. Ainda na adolescência, juntou-se a um grupo que desenvolvia protocolos fundamentais para a internet. Depois mudou-se para a Fábrica, começou a trabalhar com o criador do BitTorrent, Bram Cohen, participou na lendária lista de discussão de cyberpunk — onde surgiu pela primeira vez o Bitcoin.
O que é interessante? Len trabalhou no PGP, na tecnologia de remixers (que, aliás, é o predecessor direto da arquitetura do Bitcoin), e até estudou com David Chaum — aquele que inventou a blockchain e as criptomoedas. Isto não é coincidência. Chaum lançou as bases de todo o movimento cyberpunk, e Len Sassaman foi um dos poucos que trabalhou diretamente com ele.
Aqui está o ponto: para criar o Bitcoin, era preciso entender profundamente criptografia, redes P2P e economia ao mesmo tempo. Len Sassaman dominava tudo isso. Foi desenvolvedor do Mixmaster, trabalhou na arquitetura de segurança, participou em conferências de criptografia financeira. O seu projeto de pesquisa Pynchon Gate é literalmente uma evolução do remix, que resolvia problemas de descentralização.
E aqui está o que é completamente estranho: o período de atividade de Satoshi coincide com a atividade noturna de uma pessoa no fuso horário europeu. Len Sassaman vivia na Bélgica, na COSIC, quando o Bitcoin foi desenvolvido. O bloco de génese contém um cabeçalho da The Times — jornal que, em 2009, tinha grande circulação na Bélgica. O estilo de escrita de Satoshi é britânico, como o de Len.
Conhecimento comum? Len trabalhou com Adam Back (que inventou o HashCash — a base do mining do Bitcoin). Ambos faziam parte da comunidade de remixers. Len conhecia Hal Finney, o primeiro desenvolvedor do PGP e o primeiro minerador de Bitcoin. Ambos viviam na mesma ecossistema de ideias.
O mais triste nesta história é que Len Sassaman morreu a 3 de julho de 2011. Exatamente dois meses após Satoshi ter enviado a última mensagem: «Switching to other things». Len lutava contra a depressão e distúrbios neurológicos funcionais. Escondia a gravidade do seu estado quase de todos, continuava a trabalhar, a escrever artigos, a dar palestras.
Perdemos demasiados talentos do mundo cyberpunk por causa de problemas mentais. Aaron Schwartz, Jin Kan, outros. Len Sassaman poderia ter sido um deles. E talvez ele fosse Satoshi.
Não quero tirar conclusões definitivas — essas teorias muitas vezes degeneram em especulação. Mas, ao olhar para o material factual: criptografia, redes P2P, envolvimento no cyberpunk, ligações com figuras-chave, trabalho na COSIC com Chaum, a coincidência de horários de atividade e fusos horários — o quadro torna-se bastante interessante.
Len Sassaman foi um verdadeiro cyberpunk. Inteligente, idealista, dedicado à defesa da liberdade através da criptografia. Se ele não criou o Bitcoin, certamente foi parte da fundação intelectual sobre a qual tudo isto se construiu. Este é o seu legado — essas ideias, essas pesquisas que nos conduzem a conhecimentos que nunca estiveram acessíveis antes.
A meu ver, vale mais a pena lembrar não tanto de descobrir a identidade de Satoshi, mas de pessoas como Len Sassaman, que criaram o futuro e ao mesmo tempo lutaram contra os seus próprios demónios. Eles merecem mais atenção do que o misticismo em torno de um pseudónimo.