Acabei de ver o debate que se armou nas redes sobre a reforma de 40 horas e honestamente há muita confusão a respeito. Jorge Álvarez Máynez saiu dizendo que é "gato por lebre", que a mudança laboral não é real porque as horas extra se estendem até 12 por dia. Mas aqui vem o mais interessante: as pessoas responderam que isso já era sabido há meses, que a transição é gradual e chegará até 2030.



O que muitos não entendem é o que realmente diz a reforma de 40 horas sobre o tema das horas extra. Acontece que sim, há mudanças, mas a questão é mais complexa do que parece.

De acordo com o que estabelece a reforma laboral que já está em discussão, está claro que os menores de idade não podem trabalhar horas extra. Isso é definitivo. Agora, a soma de horas ordinárias mais as extraordinárias não pode ultrapassar 12 horas por dia. Parece muito, mas deixe-me explicar como funciona na prática.

As horas extra podem ser distribuídas em no máximo quatro horas diárias durante quatro dias no período. E aqui é importante esclarecer: continuam sendo voluntárias e são pagas ao dobro ou ao triplo, sem contar como jornada ordinária.

Hoje em dia, segundo a Procuradoria Federal de Defesa do Trabalho, é possível trabalhar até 9 horas extras por semana, ou seja, três horas além da jornada em 3 dias. Se ultrapassar isso, o pagamento é triplo.

Com a reforma de 40 horas, há sim um aumento nas possibilidades de trabalhar tempo extra. Se calculamos bem: considerando uma jornada de 6,6 horas diárias mais as horas extras em 4 dias, você poderia estar falando de 3 horas extras por dia, o que daria cerca de 9,6 horas de trabalho total. Mas tudo depende do acordo entre empregador e empregado.

A chave que muitos perdem de vista é que isso é gradual. A reforma de 40 horas não acontece de um dia para o outro. E sim, há mais flexibilidade com as horas extra, mas elas continuam sendo opcionais. Assim, quem precisa de renda extra pode acessá-la, e quem não precisa, simplesmente não faz. É isso que as pessoas deveriam estar discutindo, ao invés de apenas atacar a reforma sem entender como ela funciona realmente.
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