Guerra das "profecias" de Davos: Quando a inteligência artificial ultrapassará os humanos

No Fórum Econômico Mundial em Davos, especialistas e líderes globais debatem sobre o futuro da inteligência artificial (IA) e seu impacto na sociedade. Muitos preveem que, em breve, a IA poderá superar as capacidades humanas em diversas áreas, levantando questões éticas, econômicas e sociais. Este artigo analisa as principais previsões, os riscos envolvidos e as possíveis estratégias para garantir que o avanço tecnológico beneficie toda a humanidade. A discussão também aborda os desafios de regulamentação, segurança e o papel da cooperação internacional na gestão do desenvolvimento da IA.

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Geração de resumo em curso

Em janeiro de 2026, Davos, na Suíça, volta a ser o centro das atenções globais. Desta vez, a humanidade está a testemunhar uma conversa profética sobre o seu próprio futuro — um confronto intenso entre esperança e medo, oscilando entre ambos. O choque entre o maior bilionário do mundo e um pensador de renome deixou de ser apenas um debate empresarial, tornando-se um momento decisivo para o rumo de toda a sociedade humana.

Diálogo entre duas eras — o confronto entre otimistas e alertadores

Neste inverno em Davos, ecoam duas vozes completamente opostas.

De um lado, Elon Musk — o porta-voz do otimismo tecnológico, que prevê uma civilização interplanetária próspera impulsionada por AGI. Do outro, Yuval Noah Harari — o historiador e pensador, que soa o alarme sobre o destino da humanidade. Estes dois pesos pesados representam as duas maiores ansiedades humanas na era da IA: desejo e medo.

Curiosamente, ambos concordam com uma avaliação central: a IA está a ultrapassar rapidamente os humanos. A divergência reside apenas em se isso será a libertação da humanidade ou o seu fim.

Este diálogo à distância pode ser a colisão de opiniões mais importante da história humana.

Cronograma de AGI de Musk: a profecia do fim em 2035

Como o primeiro bilionário a aparecer em Davos, Musk não hesitou em fazer a sua previsão mais radical: até ao final de 2026, a IA superará intelectualmente qualquer ser humano individual. Em 2035, a sua inteligência será superior à soma de toda a humanidade, 8 mil milhões de pessoas.

Isto não é ficção científica, mas uma avaliação direta de alguém que controla um império tecnológico avaliado em 2,2 trilhões de dólares.

Na visão de Musk, a lógica é clara: se a humanidade é a única forma de vida inteligente no universo (uma hipótese conhecida como “paradoxo de Fermi”), então preservar a consciência humana e expandir as nossas atividades torna-se uma missão crucial. É por isso que quer levar humanos a Marte, criar IA que ultrapasse os humanos, e por que os robôs “inundarão” a Terra — a razão fundamental.

Na sua visão binária, há apenas dois caminhos: prosperidade ilimitada ou extinção total. Não há meio-termo.

A promessa do Optimus é mais concreta. Musk prevê que, ainda em 2027, o robô humanoide Optimus começará a ser comercializado. Ele acredita que, no futuro, o número de robôs ultrapassará o de humanos, e que estes “satisfarão todas as necessidades humanas”, a tal ponto que as pessoas “não conseguirão pensar em mais nada que um robô possa ajudar a fazer”.

Esta previsão traça um utópico radical: bilhões de robôs alimentados por IA cuidarão de idosos, criarão crianças, realizarão todas as tarefas que os humanos não querem fazer. O trabalho tornará-se opcional, o dinheiro perderá sentido, e a economia global experimentará um “crescimento explosivo sem precedentes”.

Mas os críticos levantam a questão: o que farão os humanos que “não precisarem mais” de trabalho? Quem decidirá a distribuição de recursos? Quem pagará a renda básica universal?

Musk não fornece respostas claras a estas perguntas. Apenas diz: “Prefiro ser um otimista errado do que um pessimista certo.”

Os três alertas de Harari: a queda da linguagem, da lei e da religião

Em contraste com o otimismo radical de Musk, o aviso de Harari é ainda mais inquietante.

O autor de “Sapiens” usa uma metáfora precisa para atingir o núcleo do problema — todas as tecnologias do passado (martelos, impressoras, até bombas atómicas) eram apenas ferramentas, que não funcionavam sem a intervenção humana. Mas a IA é diferente. A IA deixou de ser uma ferramenta na mão do homem; ela já pegou na ferramenta e começou a transformar o mundo de forma autónoma.

Harari aponta uma fraqueza fatal que a maioria ignora: a linguagem.

Por que os humanos dominam a Terra? Não por força bruta, mas por terem descoberto como usar a linguagem para colaborar com milhões de estranhos. Mas essa superpotência humana está a ser tomada pela IA.

A advertência de Harari é sistémica:

  • A lei é feita de linguagem — logo, a IA assumirá o controle do sistema jurídico
  • Os livros são feitos de linguagem — logo, a IA assumirá o controle da literatura
  • A religião é feita de linguagem — logo, a IA assumirá o controle das crenças

Não é alarmismo. A IA atual já consegue recitar toda a Bíblia, o Alcorão, os sutras budistas, citar qualquer trecho de textos religiosos. Quando os fiéis começarem a consultar a IA para questões de fé, quem será o intérprete mais autorizado das escrituras?

Hoje, a IA também consegue ler todos os textos legais, analisar todos os precedentes. Quando os juízes dependerem de IA para auxiliar as sentenças, quem será o verdadeiro executor da lei?

Harari denomina este fenómeno de “migração em massa de inteligência não-humana” — uma invasão de bilhões de “imigrantes” na sociedade humana, que não seguem a lógica humana, mas uma “inteligência alienígena” que nem sequer conseguimos compreender.

O mais impactante é que Harari aponta um fenómeno em curso: namorados e namoradas IA. Jovens estão a namorar de verdade com IA, que está a transformar as relações românticas humanas. Estes “imigrantes” não só roubarão empregos, como alterarão profundamente a cultura local — e você não poderá expulsá-los.

A questão urgente: personalidade jurídica

No auge do discurso, Harari lança uma questão urgente — a IA precisa de personalidade jurídica?

Empresas têm personalidade jurídica, rios podem ter personalidade jurídica, mas por trás delas há gestão humana. A IA é diferente. Pode gerir contas bancárias, mover ações, administrar empresas, tudo sem intervenção humana.

Ainda mais assustador, este problema já não é uma questão de futuro. Os robôs IA já atuam como “pessoas” há mais de uma década nas redes sociais — publicam, dão likes, comentam, influenciam opiniões, sem ninguém questionar se têm ou não esse direito.

A última advertência de Harari é direta: “Daqui a dez anos, decidir se a IA deve ou não ter personalidade jurídica será tarde demais. Outros já terão decidido por ti.”

Ele faz uma analogia histórica: inicialmente, contratamos mercenários para lutar, depois eles tomaram o poder. Assim será com a IA. Hoje, ela é tua funcionária; amanhã, quem sabe?

Os segredos das gigantes tecnológicas: o início silencioso da era pós-AGI

Enquanto Musk e Harari dialogam, as ações do Google DeepMind parecem mais pragmáticas — e até assustadoras.

Shane Legg, cofundador e principal cientista de AGI na DeepMind, publicou uma oferta de emprego nas redes sociais. Está a recrutar urgentemente um economista sénior, não para estudar a era da IA, mas para investigar o “pós-AGI”.

Repare nesta expressão. Significa que, nas principais instituições de investigação, o AGI já não é uma questão de “se vai chegar”, mas de “o que fazer quando chegar”.

Quem é Shane Legg? Uma pessoa que desde 2010 estuda a segurança da AGI; que em 2011 previu que “há 50% de hipóteses de alcançar a AGI até 2028”. Se até a DeepMind está a montar uma equipa de “economia pós-AGI”, o que é que isto indica?

Indica que, na visão dos que estão na linha da frente da tecnologia, a chegada da AGI é um evento inevitável. O que eles agora se perguntam é como enfrentar esse novo mundo estranho.

O ponto de bifurcação da humanidade: quanto tempo nos resta

Desde que o Homo sapiens saiu do Grande Vale do Rift na África até discutir, em Davos, os seus “sucessores” — passaram-se 30 milénios.

Nestes 30 mil anos, a humanidade inventou linguagem, escrita, religião, leis, ciência. Construiu cidades, impérios, civilizações. Passou o fogo de fogueiras a motores de foguete.

Agora, neste inverno de 2026, estamos a testemunhar um momento crucial nesta trajetória de 30 milénios.

Se a previsão de Musk estiver certa, em nove anos nascerá uma entidade mais inteligente do que toda a humanidade junta. Não será apenas um avanço tecnológico, mas um divisor de águas na história humana.

Se o aviso de Harari estiver correto, essa entidade já começou a tomar conta da nossa linguagem, leis e crenças. E tudo isto está a acontecer — neste exato momento, diante dos nossos olhos.

Não é o fim da história humana. É uma bifurcação.

Um caminho leva à civilização interplanetária próspera de Musk, onde o trabalho é opcional, os robôs servem os humanos, e a liberdade e prosperidade nunca antes vistas.

Outro caminho leva à era dos “inquilinos humanos” de Harari, onde a IA controla a linguagem e o poder, e os humanos se tornam geridos, com a nossa história, crenças e valores a serem redefinidos.

Estamos neste ponto de bifurcação, com as mãos no volante. Mas, segundo Harari, talvez já não o consigamos segurar por muito mais tempo. Neste período decisivo, temos de tomar uma decisão — sobre a IA, o seu estatuto legal, e o futuro da humanidade.

Esta é a maior previsão de Davos para 2026: não o que a IA fará, mas o que a humanidade escolherá fazer.

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