## Novo padrão de derivativos de criptomoedas: como as opções desafiam a posição dos contratos perpétuos



Se 2024 pertence aos contratos perpétuos, será que 2026 será a era das opções? A resposta a essa questão pode chegar mais rápido do que se imagina.

Muitos observadores de mercado notaram um fenômeno interessante: **o que são opções**? Simplificando, são instrumentos financeiros que concedem ao detentor o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo a um preço específico em uma data futura. Em comparação com os contratos perpétuos, que frequentemente usam alavancagem de 10x e podem liquidar a qualquer momento, as opções têm risco limitado — a perda máxima já é conhecida no momento da compra.

Mas por que a maioria dos investidores de varejo ainda prefere jogar com contratos perpétuos?

## Rendimento passivo se esgota, onde está a nova saída

Nos últimos cinco anos, o ecossistema cripto viveu uma fase de "rendimento preguiçoso" dourada. Participar de mineração de tokens, fazer trades de spread ou executar estratégias de arbitragem permitia, quase sem gerenciamento ativo, obter retornos anuais de 20%-30%. O segredo estava no fato de que, devido à estrutura de investidores de varejo com visão de alta, os longs precisavam pagar continuamente a taxa de financiamento aos shorts. Arbitradores inteligentes compravam spot e vendiam contratos perpétuos a descoberto, garantindo uma receita estável dessas taxas.

Esse período de ouro terminou abruptamente em 2024.

Após a aprovação de ETFs de spot, instituições financeiras tradicionais, com dezenas de bilhões de dólares, entraram no mercado, comprimindo a diferença de juros de 20%-30% para apenas a rentabilidade de títulos do governo. No final de 2025, essa "máquina de imprimir dinheiro" parou de funcionar completamente. Aqueles que antes ganhavam milhões por mês com spread de arbitragem de repente se viram desempregados.

O mercado precisa urgentemente de novas fontes de rendimento. E as opções, justamente, entram na jogada.

## Por que os contratos perpétuos são mais populares, mas mais perigosos que as opções

Existe uma contradição muito interessante aqui.

Teoricamente, as opções deveriam ser mais simples e seguras do que os contratos perpétuos. Comprar uma opção de compra (call), por exemplo, tem perda máxima limitada ao prêmio pago, não há liquidação repentina, risco de overnight ou de gap de preço que cause liquidação. Mas na prática, os contratos perpétuos ainda dominam o mercado.

Por quê? Porque usar uma alavancagem de 10x é muito mais fácil do que calcular a exposição ao risco de uma posição de opções.

O mecanismo dos contratos perpétuos parece direto, mas esconde armadilhas:
- **Armadilha de margem cruzada**: uma liquidação pode afetar toda a conta
- **Dependência de trajetória**: não basta abrir a posição e deixar, é preciso monitorar constantemente a taxa de financiamento e os alertas
- **Custos duplos**: abrir e fechar posições geram taxas
- **Liquidação forçada**: em queda de mercado, liquidações podem acontecer de forma implacável, surpreendendo até grandes traders

Em contrapartida, as opções parecem "amigáveis ao usuário". Perda máxima transparente, risco limitado, sem necessidade de monitoramento constante. Mas os investidores de varejo ainda relutam em usá-las.

## O que o mercado financeiro tradicional já nos mostrou

Ao revisitar a história do mercado de ações dos EUA, encontramos pontos de inflexão semelhantes.

Em dezembro de 2017, a Robinhood lançou negociações de opções sem comissão, iniciando uma revolução no setor. Em apenas dois anos, corretoras tradicionais nos EUA seguiram o movimento, eliminando as comissões. E o resultado?

A participação de investidores de varejo em negociações de opções subiu de 34% em 2019 para 45%-48% em 2023. Em 2024, o volume total de contratos de opções liquidados nos EUA atingiu um recorde de 122 bilhões de contratos, crescendo por cinco anos consecutivos.

Ainda mais impressionante foi a explosão das opções de zero dia até o vencimento (0DTE). Esses produtos, que são mantidos por apenas algumas horas e buscam alta convexidade, passaram de 5% em 2016 para 51% no quarto trimestre de 2024. A média diária de negociações ultrapassa 1,5 milhão de contratos.

Por que os investidores de varejo estão tão obcecados por 0DTE? Porque exigem pouco capital, não têm risco overnight, possuem alavancagem de mais de 50x embutida e oferecem feedback no mesmo dia. Especialistas brincam que isso é "negociação de dopamina".

A previsão de que o mercado explodiria reforça ainda mais essa lógica. A Polymarket, por exemplo, movimentou US$ 9 bilhões em 2024, com pico de mais de 310 mil usuários ativos mensais. Essas plataformas são essencialmente variações de opções binárias, apenas disfarçadas de "sabedoria coletiva". Resultado: atraem uma quantidade enorme de investidores de varejo.

## Por que as opções ainda não são populares no universo cripto

A história das opções em DeFi é marcada por fracassos.

Protocolos pioneiros como Hegic, Ribbon, Dopex e Opyn, sem exceção, enfrentaram o mesmo problema: equipes ambiciosas não conseguiram resolver simultaneamente os desafios de liquidez inicial e de simplificação da experiência do usuário.

Ribbon caiu de US$ 300 milhões de valor de mercado para cerca de US$ 270 mil; Dopex quebrou por um modelo econômico insustentável; e Opyn acabou abandonando o foco em investidores de varejo, migrando para infraestrutura.

A principal razão é a **complexidade**. Protocolos de opções em DeFi têm liquidez fragmentada por diferentes datas de vencimento, dependem de oráculos que aumentam o risco de manipulação, e pools totalmente colaterizados limitam a escalabilidade. Ainda mais, os usuários geralmente não entendem esses produtos.

Mas a situação está mudando.

## Como a nova geração de produtos de opções reduz a barreira de entrada

De 2024 a 2025, uma nova leva de protocolos surge com uma abordagem diferente para resolver a complexidade — **escondendo completamente o mecanismo de opções**.

A Euphoria, por exemplo, levantou US$ 7,5 milhões em rodada seed, com uma ideia central: "Olhe para o gráfico, identifique a faixa de preço que acha que será atingida, clique e pronto." Sem necessidade de tipos de ordens, letras gregas ou cálculos de margem, o mecanismo de opções funciona nos bastidores. O produto é uma interface gamificada.

A eficácia dessa abordagem já foi comprovada pela Polymarket. Os US$ 9 bilhões em volume de negociações não vêm de traders profissionais que entendem volatilidade implícita, mas de usuários comuns. Eles querem apenas uma rápida avaliação de probabilidade de um evento, para então apostar.

## Infraestrutura de opções para instituições está amadurecendo

Ao mesmo tempo, outro segmento também está ganhando força — **opções DeFi voltadas para instituições**.

Protocolos como Rysk trazem estratégias tradicionais de venda de opções para a blockchain. Usuários podem fazer staking de ativos, definir preços de exercício e datas de vencimento, e obter cotações competitivas via leilões on-chain. Todo o processo é transparente, sem risco de contraparte, e suporta múltiplos colaterais (ETH, BTC, LST, etc). DAOs e fundos institucionais podem criar fluxos contínuos de receita vendendo opções de compra cobertas, sem se preocupar com fraudes.

O Derive (antigo Lyra) evoluiu de uma arquitetura AMM para um livro de ordens centralizado, suportando opções europeias totalmente colaterizadas, curvas de volatilidade dinâmicas e liquidação TWAP de 30 minutos, com qualidade de execução comparável a plataformas CeFi de pequeno porte.

O GammaSwap adotou uma abordagem diferente — opções perpétuas não sintéticas baseadas na liquidez do Uniswap. Ele extrai ganhos de volatilidade de perdas impermanentes do AMM, eliminando a dependência de oráculos. Traders podem montar estratégias de straddle (Delta neutro), posições longas ou curtas.

A inovação mais radical vem do Panoptic: opções perpétuas de fluxo concentrado no Uniswap v3, sem oráculos. Qualquer posição de LP pode ser vista como uma combinação de opções, com taxas refletidas em fluxos contínuos de prêmio de opções. Todos os preços são baseados exclusivamente em dados internos do Uniswap, sem necessidade de oráculos externos.

Esses protocolos visam o mesmo perfil de usuários — DAOs com fundos de oito dígitos, fundos buscando retornos não correlacionados, LPs que querem hedge contra perdas impermanentes, gestores de ativos construindo produtos estruturados. Eles precisam de um pacote completo de ferramentas financeiras, não de interfaces de jogo de azar.

## O que a aquisição da Deribit pela Coinbase significa

Em 2024, a Coinbase adquiriu a Deribit por US$ 2,9 bilhões, enviando um sinal importante: **instituições estão levando a sério as opções cripto**.

A Deribit é a maior bolsa de opções de criptomoedas do mundo, com mais de US$ 30 bilhões em contratos em aberto por dia. O objetivo da Coinbase é claro — construir uma pilha de capital completa: ativos spot sob custódia na Coinbase podem ser usados como garantia para negociações de opções na Deribit, permitindo margens cruzadas e gestão centralizada de fundos, ao invés de dispersos.

Essa integração vertical é difícil de replicar em DeFi, devido à liquidez naturalmente dispersa. Mas também indica que as oportunidades de opções em DeFi estão aqui — basta resolver o problema da fragmentação de liquidez para desafiar o domínio do CeFi.

## O futuro das opções se dividirá em dois mundos

É preciso mudar uma percepção importante: o mercado de opções não será uma única forma, mas evoluirá para dois níveis completamente distintos.

**Primeiro nível: opções de consumo**

Produtos de opções abstratas voltados ao varejo. A Polymarket já mostrou que o problema não é que os investidores de varejo odeiem opções, mas que odeiam complexidade. Quando o mecanismo de opções é escondido atrás de uma interface gamificada, eles se atraem. Essa camada não compete por engenharia financeira, mas por UX, experiência móvel e feedback em milissegundos. Os vencedores serão mais parecidos com aplicativos de consumo do que com plataformas de trading. Esse mercado deve absorver o volume de curto prazo, alta frequência e dopamina que atualmente domina os contratos perpétuos.

**Segundo nível: infraestrutura para instituições**

Protocolos como Derive e Rysk não competirão com o varejo, mas atenderão DAOs com fundos de oito dígitos, fundos buscando retornos não correlacionados, e LPs que querem hedge contra perdas impermanentes. Essa camada exige garantias de portfólio, colaterais cruzados, sistemas de precificação e curvas de volatilidade dinâmicas. Essas funções não são necessárias para o varejo, mas são essenciais para as instituições.

Os gestores de ativos on-chain precisam de toda a capacidade de expressão das opções — estratégias de hedge claras, sobreposições de retorno, posições Delta neutro, produtos estruturados compostos. Mercados de empréstimo simples e alavancagem de slider não atendem a essas necessidades.

## Conclusão

Se as opções realmente vão se consolidar até 2026, depende de dois fatores: maturidade da infraestrutura e demanda genuína dos investidores de varejo.

Polymarket e Kalshi já sinalizaram isso — os investidores de varejo desejam apostas probabilísticas simplificadas. Protocolos de DeFi de nova geração estão resolvendo problemas de fragmentação de liquidez e complexidade. A aceitação institucional também está chegando (exemplo: Coinbase-Deribit).

Quando esses fatores se alinharem, a transição das opções de nicho para ferramenta financeira mainstream pode acontecer muito mais rápido do que se imagina. E, nesse momento, ao olharmos para 2025, ficaremos surpresos por que os contratos perpétuos dominaram por tanto tempo.
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